Problema Ambiental
De acordo com o diretor de Recursos Hídricos, Dirceu Brasil Vieira “dificilmente uma pessoa consumirá água de mananciais que recebem esgoto, entretanto, há denúncias, ainda não confirmadas, de que a clandestinidade no setor esteja atingindo a Bacia do Pinhal, ou seja, alguma fabriqueta que possa estar nas imediações dos ribeirões do Tabajara, dos Pires e do Pinhal, que formam a Bacia, pode estar lançando os resíduos, e o mais preocupante é que a Bacia do Pinhal é a única fonte alternativa de abastecimento de Limeira. Em grande parte do ano, é a água dessa Bacia que chega às torneiras das residências”.
O grande problema com a clandestinidade não é visível, pois as conseqüências afetam os sistemas de rede de esgoto, as estações de tratamento, os rios por onde desembocam os resíduos, estes causam grande variação no pH da água, e esta mudança pode destruir a rede de esgoto. Outro problema é em relação aos metais pesados como chumbo, cromo, níquel e zinco encontrados nos rios, sem o tratamento dos efluentes gerado pelo banho, esses metais acabam caindo nos mananciais, podendo assim afetar a biodiversidade e o que é pior exercem efeito cumulativo nos seres vivos.
A bióloga Claúdia Brasil Vieira constatou através de irrigação com água de esgoto, o quanto os metais pesados contaminam, em sua tese de mestrado, defendida na Unicamp, ela verificou a possibilidade do aproveitamento da água, no caso da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Graminha, para irrigação de culturas, ela utilizou o milho, plantado especialmente para os testes e foi constatada a presença de metal pesado no milho, justamente pela clandestinidade no setor de banho de jóias.
De acordo com a bióloga, o alimento consumido com cromo em altas taxas provoca náuseas, diarréias, danos no fígado e rim e até hemorragias internas e problemas respiratórios. O zinco provoca febre, diarréia, vômitos, entre outros problemas gastrointestinais. O níquel pode provocar dermatites e alergias é também um agente cancerígeno, podendo atingir os pulmões, a cavidade nasal, os ossos e o estômago. Já o cobre provoca asma, cãibras, epilepsia, espasmos, hipertensão, deficiência imunológica, esquizofrenia e a doença de Wilson, que se caracteriza por degeneração do fígado e do cérebro.
A Promotoria do Meio Ambiente, junto com outros órgãos policiais e fiscalizadores, estão em cima de fábricas de jóias clandestinas, mas o grande problema é que, se houver dúvida em relação aos produtos químicos encontrados nos locais denunciados, não há perito específico na cidade capacitado para constatar se as substâncias são ou não tóxicas. Esse tipo de perito, especializado em identificação de produtos tóxicos, seria fundamental para a efetivação do trabalho do Ministério Público, dos órgãos fiscalizadores como a CETESB e a Secretaria de Meio Ambiente, além da própria polícia.